Companhia

Os amigos lendo este post sabem que para as minhas viagens, convido praticamente todo mundo. Mas devido a indisponibilidades de tempo, dinheiro, de trabalho, família ou mesmo vontade de viajar, a maior parte das minhas viagens costumam ser feitas apenas com a companhia da TR (mochila parceira de grandes aventuras). Como sempre planejei essa viagem para ir só, mas hoje recebi a agradável notícia de que um amigo meu dos EUA, Nathan Cooper - louco apaixonado pela Patagônia - comprou sua passagem  de Billings, Montana para Buenos Aires e irá fazer pelo menos parte da viagem comigo….olha só. Vamos ver no que dá. Afinal, já são tantos anos viajando sozinha, como será viajar com outra pessoa? Desaprendi.

Nasce uma viagem

Minhas viagens sempre nascem com uma sementinha, uma curiosidade, que vai crescendo, vira sonho, vira planos e se transforma em realidade. Essa curiosidade pode nascer de uma foto, um filme, ou até de um  relato de viagem de outras pessoas. A sementinha dessa viagem foi Perito Moreno. Há alguns anos, bati os olhos em uma foto da gigantesca geleira -localizada no município de El Calafate, na Patagônia Argentina – pronto, virou obsessão. TENHO QUE VER ISSO DE PERTO DE QUALQUER FORMA! E daí começam as infinitas leituras; de sites, livros, revistas de viagens, guias, blogs de outros viajantes que já estiveram por lá. Tudo.

O restante é muita pesquisa, como chegar lá, qual a forma mais econômica, de quanto tempo preciso, o que mais há no caminho que posso aproveitar e dar uma olhada. E assim surge um roteiro, sempre girando em torno da idéia central. Minhas viagens geralmente tem a gestação de um ano, desde a concepção até a viagem de fato, é o tempo que eu preciso para fazê-la acontecer.  E meus planos nunca estão prontos de fato. Cada vez que penso na viagem, ela muda de formato, e por mais que eu planeje, nunca estará pronta, ela se constrói durante o caminho.

E o melhor, é que minha aventura não se inicia quando eu entro no avião (carro, ou ônibus), mas sim a partir do momento em que nasce a idéia, no momento em que a sementinha é plantada.

Para os que não conhecem, deixo aqui uma foto da minha sementinha que está pra nascer semana que vem. Essa é do Google….se tudo der certo daqui a pouco posto fotos minhas ;-)

Geleira Perito Moreno

Geleira Perito Moreno

O Peso

De todos os 12 meses que precederam a minha viagem…..a tal da crise imobiliária dos EUA foi estourar mundialmente justo agora, a poucos dias das minha esperada viagem. E o que a crise tem a ver com as minha férias? TUDO. Há alguns anos, a moeda argentina (Peso) foi dolarizada. Conclusão: o dólar sobe, o peso sobe, o dolar dispara, o peso dispara, o dolár dispara…..eu entro em pânico, porque a cada dia que passa meus reais estão valendo cada vez menos pesos.

Há cerca de um mês,  1 real comprava 1,94 pesos. Hoje, 1 real compra 1,48 pesos……Enfim, fica aí a lição para as próximas viagens: sempre junte dinheiro pensando no pior cenário econômico possível.

Aproveitando a onda blogueira que passou pelo escritório, resolvi criar vergonha na cara e ressucitar esse espaço. E o momento não poderia ser melhor…..faltam apenas 10 dias para a minha tão esperada viagem à Patagônia Argentina. Para aqueles que vem acompanhando minha ansiedade e a contagem regressiva desde Janeiro, vai aí um segredo…..tá me dando um frio na barriga. Não é bem medo, mas parece que tá rolando uma reunião de borboletinhas no meu estômago…ai ai.

Meu roteiro já está definido, e pretendo visitar as seguintes cidades:

El Calafate- Lar da gigantesca geleira “Perito Moreno”, um sonho meu de muitos anos

El Chaltén- Capital do trekking da Argentina com trilhas que levam a lagos escondidos, geleiras e cenários paradisíacos do Parque Nacional Los Glaciares

Ushuaia- Na Terra do Fogo, é conhecida como a cidade mais austral do mundo

Puerto Madryn- para ver a gigantesca colônia de pinguins, leões marinhos e baleias

Buenos Aires- para tomar um vinho e encher a cara (e os quadris) de alfajores

Bom, mas antes disso tudo acontecer tenho que terminar duas revistas que empacaram e literalmente não saem do lugar.

Barcelona é onde a Europa passa as férias no verão. Cheguei a essa conclusão após descer na rodoviária central e encontra-la lotada às 6 da manhã, ao andar no metrô apertado com malas, mochilas e mochileiros mil e ao não conseguir uma vaga sequer em nenhum dos três primeiros albergues que tinha marcado. Sem sucesso resolvi passear pelas Ramblas e decidir meu destino ao longo do dia.

 

Lãs Ramblas é um boulevard margeado por árvores altas (para nós calçadão) centro de restaurantes, galerias de arte, lojas com “coisinhas” legais, cartões postais, souveniers e todo tipo de imã de turista. A arquitetura medieval/gótica, no entanto é fantástica. Infelizmente não tenho nenhuma foto, pois estava tão lotada que não consegui nenhum ângulo legal (leia: sem pessoas)

 

As Ramblas acabam na praia e quem seguir andando mais um pouco vai encontrar um píer com direito a shopping e ponto de parada dos cruzeiros naquela região.

 

Saindo da praia resolvi me adentrar na outra ponta das Ramblas e me enfurnar no famoso Bairro Gótico. A arquitetura é realmente fascinante e esse é o tipo de lugar para se perder nas ruazinhas estreitas por horas e horas.

 

Mas eu vim até a Espanha para ver a Catedral da Sagrada Família então deixei o bairro gótico para trás para ir atrás de um dos maiores símbolos da arquitetura desse estilo.

 

Lembro até hoje a exata sensação de ver a catedral. Eu saí do metrô esperando dar logo de cara com a monstruosidade, mas ….nada. Ao olhar para trás procurando, soltei um NOOOOOOOOOOOOOOOSSA que só não chamou atenção de todos ao meu redor porque cada um estava entretido com a sua própria perplexidão. A Sagrada família é majestosa, imponente, poderosa, escura, misteriosa e devido à sua posição geográfica e à sua imensidão, pode ser vista de praticamente todos os cantos de Barcelona.

 

Sagrada Famlia

Sagrada Família

 

Por dentro, ainda estava tudo em obras, então não pude ver muita coisa além de um pé direito altíssimo. Mas por alguns euros a mais, pega-se um elevador até a torre mas alta e de lá a vista da cidade é linda e plana.

 

Na fachada, a riqueza de detalhes das esculturas são impressionantes e valem uma boa meia hora de observação cuidadosa.

 

De lá resolvi voltar pras Ramblas. Sem querer desci na estação de metrô errada e resolvi andar pelas ruelas de um bairro residencial seguindo sempre placas para Ramblas. Qual a minha surpresa ao encontrar depois de uns 20 minutos um albergue da juventude. Cheguei exatamente na hora em que um grupo grande de mochileiros estavam indo embora e depois de muito implorar por um quarto, o recepcionista disse que se eu aguardasse ele confirmaria a disponibilidade de cama. Depois de uns 40 minutos veio a minha resposta…..SIM. Temos uma cama vaga, por apenas uma noite em um quarto misto. Muy bien, you le dije, e grata fui deixar minhas tralhas no quarto.

 

E foi lá que conheci meu primeiríssimo amigo instantâneo (com o qual mantenho contato até hoje) – Alessandro Turco – um italianinho cheio de energia e muito engraçado e seu amigo Fábio.

Fabio, eu e Alessandro no albergue

Fabio, eu e Alessandro no albergue

 

Mas foi com Bih Tabah, de Camarões, que fui almoçar uma Paella maravilhosa.

Paella com Bih

Paella com Bih

 

Bih foi minha comanheira de aventuras, pois assim como eu tinha apenas um fim de semana em Barcelona e queria aproveitar para conhecer o máximo possível da cidade.

 

Fomos à Barceloneta e vimos o grande peixe metálico descabeçado – obra do arquiteto Frank Ghery

O peixe de Ghery

O peixe de Ghery

 

Também fui me aventurar nas águas do Mediterrâneo. Depois de só molhar o dedinho em uma água gelaaaaaaaaaada, de areia grossa e escura, resolvi que havia cumprido minha missão Mediterrânea.

Conquistei o Mediterrâneo...uhuuuuuuuuuuuuu!

Conquistei o Mediterrâneo...uhuuuuuuuuuuuuu!

 Fomos ao estádio olímpico “Estadi Olímpic de Montjuïc”, sede dos jogos de 1992.

Estadi Olmpic de Montjuïc

Estadi Olímpic de Montjuïc

 

Ainda tivemos tempo de ir ao Museu Picasso e conferir o maior e mais completo acervo artístico de Picaso com cerca de 3.500 obras entre gravuras, litografias e cerâmicas.

Museu Picasso

Museu Picasso

 

E encerramos com um tour pela Casa Miró

No telhado da Casa Miró

No telhado da Casa Miró

 

Depois de trocas de e-mails e tchaus, pulei de volta no ônibus domingo à noite para viajar durante a madrugada e assistir aulas em Madri de manhã cedo.

 

Infelizmente dos Catalães não pude formar opinião, pois a cidade estava tão repleta de turistas falando inglês, alemão, Sueco e Holandês que ouvi muito pouco do Basco. 

 

Deixei de ver mas dizem ser imperdível em Barcelona:

 

- Parque Guell: patrimônio mundial da UNESCO é uma cidade jardim desenhada por Gaudí.

- Casa Batló: Também de Gaudí, prédio de arquitetura irregular e indefinida.

- Casa Milá (La Pedrera): Obra arquitetônica também seguindo o estilo de paredes ondulantes e ausência de formas retas.

Nas férias da faculdade em agosto de 2003 ganhei de presente um curso de Espanhol de um mês de duração em Madri. Minha primeira vez na Europa não poderia ter sido em um lugar melhor. Madri tem museus, castelos, parques, praças e todo mais que os países europeus tem, com um clima agradabilíssimo e um povo festeiro e simpático.

Exepcionalmente, em 2003, a Europa passou por uma das maiores ondas de calor ds últimos anos e eu peguei temperaturas de 50 graus na sombra.

A escola Enforex (menos badalada que a famaos Don Quijote) eu tinha aulas pela manhã (das 9 às 13) e aproveitava as tardes para conhecer a cidade com meus colegas de turma – cada um de um canto do mundo.

Na escola Com Valerie (EUA), Cristina a professora, Ilona (Letonia), Não lembro no nome da Canadense, Jaime (Taiwan), embaixo de azul, Arina, a maluquinha Russa e Elizabeth, Francesa

Infelizmente nessa época eu não tinha câmera digital e ainda estava em uma economia danada para ficar comprando filmes, então as fotos são poucas e digitalizadas. Mas dá pra ter uma idéia do lugar.

 

Palácio das Comunicações

 

Monumento ao escritor de Don Quijote na Plaza Cervantes

 

Plaza de Mayor- datada do século XV foi palco de coroações, festas, touradas e execuções

 

Plaza de Toros – Eu fiz a besteira de ir assistir a uma ‘corida’ (tourada) onde seis touros são mortos por noite. A população localmais jovem não parece ser muito fá da tradição, mas o lugar está cheio de turistas e de velinhos que torçem pelo toureiro como se estivessem em uma partida de futebol. Horripilante, nojento e crul….simplesmente cruel.

…..mas o mergulhador na ponta do rabo dela….cá entre nós….Kitsch!  (em Rio das Ostras – RJ)

 

 

                                   CUIDADO! Cruzamento de mamãe pata e patinhos (em Bozeman -Montana)

22/05 – Dia 1

Menos glamurosa que as vizinhas Búzios e Cabo Frio, Rio das Ostras é um charme escondido na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A cidade é incrivelmente limpa, com toda infra-estrutura necessária, bem cuidada, os ambulantes são poucos e todos uniformizados, e a sensaçao de segurança é constante.

Depois de 6 horas de Cometa e mais 3 de Macaense (com direito a ônibus quebrado e tudo), cheguei a Rio das Ostras pela manhã. Peguei uma Van, e andei cerca de 6 quadras até o ‘Rio das Ostras Hostel’. A localizaçao do albergue não podia ser melhor, a poucos passos da lindíssima praia Costa Azul, e o quarto nem area tão ruim, mas o atendimento deixou muito a desejar e o estabelecimento entrou em primeiro lugar na minha reçem-inaugurada lista de “Piores albergues do mundo”.

Quarto no Albergue

Os shows só começavam a tarde e minha amiga Lorena – vindo do Espírito Santo – só chegaria depois do almoço então fui conhecer a região da Costa Azul.

Nessa praia, vi altas tartarugas bem pertinho da areia

Da ponta desse Pier, vi duas Arraias lindas nadando

A arte futurística é marca registrada do calçadão Costa Azul

A Praça da Balei possui uma replíca em tamanhho real da baleia Jubarte

Tocolândia - Minishoping que vende exclusivamente trabalho de artesãos locais

Programaçao dos shows pra ningúem dizer que não ficou sabendo

À noite, depois que Lorena chegou, fomos assistir aos shows. As bandas eram ótimas, mas infelizmente as fotos do palco e do telão ficaram péssimas.

As bandas do dia 22 de maio foram:

- Delicatessen: banda brasileira muito boa

- Regina Carter: violinista irada que tira sons inacreditáveis do pequeno instrumento

- Blues etílicos: meus favoritos da noite com repertório animado, também, os caras já tem maisde 20 anos de estrada….

 

Blues Etílicos no palco

24/05 – Dia 2

Enquanto esperava o café da manhã, (que por algum motivo é absurdamente servido às 10 da manhã) fui à praia e qual a minha surpresa ao ver….tartarugas…várias delas nadando bem próximas a areia. Infelizmente não tenho fotos, mas foi uma experiência muito legal.

Depois do cafe fui na Lagoa do Iriri – conhecida como lagoa da coca-cola devido a agua escura causada por iodo e sais. Por ser mais calma que as aguas do mar, a lagoa e o lugar favorito de familias com criancas que lotam o lugar.

Agua escura da Lagoa da coca-cola

Vista da Lagoa + faixa de terra + mar

Na parte da tarde tive o melhor dia da minha viagem. Assisti a Will Calhoun e sua banda….a minha favorita do Festival, conheci os integrantes e tirei varias fotos com eles e ainda encontrei uns amigos da faculdade que nao via ha mais de tres anos.

Will Calhoun

Conhecendo a banda ;-)

 

Com amigos da faculdade que encontrei no Festival

25/05 – Dia 3

Hoje o dia foi para relaxar. Passei a manhã na praia da Costa Azul com Corinne e Soymara, minhas colegas de quarto no albergue. Na parte da tarde levei as duas na Lagoa da Coca-cola que elas ainda não conheciam e depois fomos para a praia da Tartaruga, onde um palco foi montado em cima das pedras adentrando o mar. Muito bonito. Pena que as fotos não ficaram boas. Antes de irmos embora fiz amizade com o guitarrista Grant Green Jr, da banda “The godfathers of groove”, considerados os reis do jazz-funk.

Vista do palco montado na pedra

Com Grant Green Jr.

   

 Com Corinne no show de encerramento

26/05 Dia 4

Acordei as 7 da manhã, entrei em um ônibus as 8 e só cheguei em Campinas as 21horas. Canstivo, longo, demorado…..mal posso esperar pela próxima.

Viajar é preciso……

 

…..assim como disponibilidade de tempo e dinheiro. Como meu salário de jornalista é inversamente proporcional à minha vontade de viajar, todo ano passo 11 meses planejando uma viagem grande, para que ela caiba no meu tempo livre e no meu orçamento.

 

Enquanto minha viagem do ano não chega (se tudo der certo será para a Patagônia)….aproveito todos os feriados possíveis para conhecer lugares novos. Para aproveitar o último feriado decente do ano viajo hoje para conhecer o famoso Festival Rio das Ostras Jazz e Blues.

 

Objetivo # 1 da viagem: rever minha amigona da faculdade, Lorena

Objetivo # 2 da viagem: conhecer e participar do conceituadíssimo festival de Jazz

Objetivo # 3 da viagem: conhecer Rio das Ostras

 

 

Quando voltar conto direitinho como foi!

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